sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Quem sabe faz a hora não espera acontecer.

         Eram tempos bons! Vivíamos a plenitude do reconhecimento popular da importância e dimensão dos serviços públicos. Éramos também admirados com o motor governamental, a mão estendida do governo ao cidadão. Nossas funções por mais modestas eram consideradas e valorizadas. Nós os barnabés, estávamos presentes nas vidas dos brasileiros. O Estado democrático de direito e de justiça “quase” plena (Não há justiça absoluta) daquela época, buscava a eficiência administrativa. E estava mais presente na vida do cidadão. Não havia propriamente para nós os servidores públicos um setor de recursos humanos, graças a Deus! Nós possuíamos a administração de pessoal, bem mais eficiente do que as impessoais e ineficientes áreas atuais muitas das vezes terceirizadas e desqualificadas. São denominadas pomposamente e erroneamente no meu modo de ver de Recursos Humanos e estes recursos lá os Srs. sabem, não existem. Na maioria das vezes nem mesmo recebem os aposentados. Mandam esperar em longas filas. Alias os aposentados nem mesmo conseguem entrar em seus setores de origem. Assim que aposentam viram persona nom grata, estranhas e não desejáveis. Porque esta desconsideração? Estes tais recursos humanos são uma falácia um clichê. Um entulho de papeis arquivados e um sistema de computação.
Para não generalizar e dizer “sempre” vou usar o termo “quase” sempre falho. Não culpo os servidores, culpo a política de administração pública nesses governos que vem desde os militares, num crescendo a cada dia, sendo mais e mais impessoais com o funcionalismo. Hoje só valorizam os cargos de confiança que são um meio eleitoreiro, um meio de presentear seus cabos eleitorais sem usar nenhum critério de capacitação funcional ou moral. Os ministros da área são estranhos e alheios a realidade das necessidades da maquina administrativa. Numa palavra tem sido uma sucessão de apadrinhados complexados e medíocres, sem conhecimento do assunto a mandar nos competentes.  Mas infelizmente estes concursados e competentes são subservientes e acomodados. A tal tecnologia  digital é impessoal e burra. Nada podem fazer se não estiver no tal “SISTEMA” e quando não querem resolver culpam o dito cujo, que já é embora virtual um sujeito de direito muito poderoso. Lembro dos finais de ano dos anos 60, lá em Brasília, com a dobradinha (Quem foi para Brasília tinha os vencimentos dobrados), mais apartamento e mobília, tudo pago pela NOVACAP, diga-se de passagem, com os fundos previdenciários. Havia também o empréstimo natalino, e se não bastasse além disso haviam os recursos repassados ao serviço pessoal para propiciar a comemoração após expediente na própria repartição pública com as famílias e presentear as crianças. Tudo isto se perdeu. Agora é só deveres, nenhum retorno. A coisa é impessoal, auxilio alimentação só para os ativos, como se isto não fosse salário indireto. Mas todos calam. E o Funcionário é na verdade já há algum tempo um boneco marionete e os meus queridos colegas de auditor só tem o nome. Nossos salários são insuficientes e nossas aposentadorias pioraram. Pois precisam agora fundar ou afundar um fundo, para nossas aposentadorias. Nossos serviços não são valorizados e nossa voz  não é escutada e nem mesmo mesurada. Tudo vem de lá para cá ou deles lá de cima para nós cá de baixo, se fazem de desentendidos, nossas dores e nossos gemidos não repercutem na impessoalidade da atual política LIBERAL.  Em tudo oferecem diálogo de mentira, que não surtem efeito. Os representantes governamentais são meros mensageiros, justificamos, alegamos e exigimos. Mas a resposta é sempre a mesma, não podemos decidir precisamos consultar o fulano o beltrano e assim levam no bico e empurram com a barriga. Mas continuam alegando que tudo se resolve com diálogo. Eles querem diálogo como um instrumento com objetivo de perpetuar as reivindicações, mas não resolvem uma falácia um instrumento protelatório. Isto me faz lembrar o acordo que as aves fizeram com o Criador. Foram elas, as aves procurar o diálogo com aquele “deus Grego” que as criou e reclamaram que somente elas, as aves possuíam um único órgão que era excretor e sexual  ao mesmo tempo, e toda os outros da criação que  elas sabiam e conheciam tinham órgãos específicos.O criador achou justo, e as acalmou,disse:
- Sempre é bom dialogar, agora estou sabendo e vou pensar em uma solução. Aguardem!
     Já fazem milhões de anos que elas aguardam tomando naquele lugar e ainda não houve solução. É exatamente o que fazem os nossos interlocutores ouvintes, dignos representantes governamentais, ASPONES que ali estão para protelar as nossas reivindicações e justificar sempre que devem consultar “A” ou “B” e como sempre as propostas de negociação são ofensivas, ridículas e sabem eles inaceitáveis. Mas vão empurrando com a barriga. E nossas lideranças tomam cafezinhos dão risadas, gozam do poder, mas nada resolvem, é uma pelegada. Olha o que e quanto trabalhamos para ter a paridade com os salários da Justiça, o que aconteceu? Tivemos a oposição não só do governo, mas pior tivemos oposição de colegas que estavam sendo beneficiados. Ou será que comprados? Somos competentes nas nossas funções, mas ingênuos nas pretensões. É certo que naqueles tempos cobravam muito do servidor, mas nós éramos reconhecidos e recompensados. Nós mesmos não aceitávamos os maus colegas. Corrupção é doença administrativa, sempre existiu, mas não nessa escala epidêmica, hoje parece uma peste moral. Será que é por conta da arcaica e ineficiente educação brasileira? Será que querem formar caráter em nossas crianças ofertando ensino ruim e com professores quase mendigando? Todos nós funcionários precisamos do estimulo financeiro e de nos sentir participes nos bons resultados dos serviços que prestamos a nossa sociedade. Necessitamos voltar a ter orgulho patriótico de bem servir, de estudar e saber mais. Precisamos do orgulho de ser vitoriosos como percebi nos olhos e na postura dos atletas Brasileiros que participaram dos últimos jogos Pan – Americanos do mês de junho, percebi o orgulho coisa que a maioria já perdeu há muito tempo, pois já perdemos a esperança, e a desesperança é terrível.
       Se os Srs. fizerem um levantamento dos favores políticos na administração, haverão muitos servidores da “medalha milagrosa” que não sabem e não conhecem suas funções,foram premiados por apoiar algum candidato barganhista. Já na década de 40 os trabalhadores brasileiros haviam aprendido a lutar e reivindicar seus direitos através da consolidação das leis trabalhistas por intermédio de seus sindicatos e suas bancadas no congresso nacional.
Mas o que quero traduzir aos companheiros de hoje, eram os bons momentos dos IAPS  autarquias formadas com fundo das contribuições das categorias sindicais e a conseqüente participação patronal.
       Não acredito que o surgimento da patronal nos anos 40 no antigo IAPI tenha se baseado em algo diferente daquela manifesta vontade libertária e que inspirava a força associativa dos trabalhadores, com essa idéia e com o propósito de apoiar o seus servidores associados na formação patrimonial. É isto o que aconteceu. “Surgiu em um grupo e assim nasce forte robusta uma instituição dos servidores do então IAPI, a velha e confiável Patronal, estendida aos previdênciarios em geral na década de 60, pela unificação dos iaps e a criação “INAPS””. A Patronal, fundação totalmente administrada e pensada por seus associados, ia de vento em popa. Haviam diversas idéias, todas com o fim de zelar e promover vantagens diversas aos associados. Haviam restaurantes mantidos pela patronal para os beneficiários, colônia de férias para gozar as férias com a família, bolsa de estudos para os dependentes, tudo com pequenas contribuições e o pagamento obrigacional patronal no caso dos IAPS do Governo Federal. Saúde era algo que possuíamos amplamente, pois todos os IAPS ou quase todos possuíam seus Hospitais e os mantinham muito bem. Eu fui um que participei da Construção do Hospital Presidente Médici em Brasília, pois o Instituto ao qual eu pertencia foi um dos últimos a ser desmontado pelo governo o antigo IPASE (Instituto de previdência e assistência aos servidores do Estado.). Na realidade a patronal foi invejada como e fundação solidária e utilizada como modelo para a iniciativa privada obter seus lucros, mas infelizmente consideraram aquela entidade modelo como perniciosa e a patronal passou a ser concorrente indesejável. O poder econômico tratou de cortar as asas e a patronal não voou mais, virou no que é GEAP, um mero plano ruim de saúde. Mas, como fizeram esta mágica de quebrar o que é inquebrável e fazer surgir outra. Em outras palavras como puderam fazer a mágica de transformar o ouro em excrementos?  E o pior, nós assistimos e parece que aceitamos o fato.
      A razão é simples, a patronal contrariava os interesses das concorrentes, seus serviços eram mais extensos, mais baratos e mais eficientes. Será que esta razão, poderia ocasionar a fim dos direitos adquiridos, pela rede nominada fundação que mudava sua essência, aqueles direitos deveriam ser mantidos por seus reformadores, ou não? Porque nossos representantes nacionais da ANFIP estimulam a filiação a UNIMED? Por que abandonam nossa Fundação Patronal, agora GEAP?  Porque não lutar por ela? E sabemos que foram poucos os que se insurgiram e lutaram por ela, muitos talvez não conhecesse o assunto, e alem disso tivemos péssimos advogados.
     Acredito fundamental aos colegas auditores da Receita Federal mais jovens, conhecer um pouco da nossa história.
         Este sentimento de respeito ao ser humano e que surgiu nos anos de 1930 a 1940 no Brasil influenciado certamente pelos horrores da primeira e segunda guerra mundiais, onde o sofrimento gerou a solidariedade e humanidade uniu mais os homens e passaram a pensar um novo direito regulamentado por um organismo internacional. Criou-se a ONU. Com a carta de direitos do homem, que forjou todas as constituições e leis dos países signatários.
      Como desfazer uma fundação como a Patronal? E os direitos adquirido por aqueles beneficiários e associados, solidários?  E a divida da União com a previdência, vamos auditar? Desde os tempos de JK. A União deve milhões ao caixa da previdência, agora denominado caixa único.

  Nesta data lembro o Presidente Getúlio Vargas. Foi dono do país como dizem. Mas suicidou-se e morreu pobre. Era um homem que honrou o nosso povo e a nossa nação. Faz falta, o conhecimento da sua historia, pela falha educacional. Mas o seu nome, Srs. ainda é minha bandeira de lutas.   

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