segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O BEIJO DA PERERECA " Retrato de uma viagem" CapituloII

  Passados alguns meses da viagem a Ponte Alta do Bom Jesus, da corajosa e bem sucedida reversão da grilagem, precisávamos eu e João regularizar a transferência no cartório bem como examinar a possibilidade de trazer a energia elétrica por seis quilômetros até o lote de terras. João ligou-me e como sabia que eu possuía um sócio na empresa de leilões de artes, (LEILOARTE) com formação em engenharia elétrica e era o proprietário de uma grande empresa desta atividade, com todas as qualificações de manutenção e construção de qualquer estação ou geradores de energia.
conversei com este amigo que vou chamar de Miro e ele topou.
Precisavas-mos saber por onde trazer os postes e com um só cabo positivo ele faria o neutro na terra, ou coisa parecida.O problema era não assustar o Miro, da viagem.Quando perguntou a mim onde ficava, desconversei e disse que era uma viagem média mas se saíssemos pela manhã certamente nós almoçariamos no local de destino.Não menti! Afinal não havia restaurantes na estrada e gasolina só em Teresina (um garimpo de bauxita na metade do caminho) onde não tinha nada, nem mesmo água potável. Então se chegássemos às 19 horas poderíamos almoçar.
A viagem começou às 7 horas da manhã em um opala 74 adquirido em um leilão da câmara de deputados por mim. Um carro espetacular, não quebrava nem mesmo andando naquela trilha horrível e cuja poeira era tão intensa que quase não nos enxergávamos dentro do carro. Este o único e pequeno defeito do opala era a vedação entrava aquela poeira fina por tudo.
Já passava das quatorze horas e o Miro perguntando se faltava muito? É logo ali! E o cara foi ficando impaciente. O fato interessante é que Miro havia adquirido uma bela dentadura nos EUA, com dentes de porcelana que custaram milhares de dólares na época e ele estava com uma pronuncia ruim das palavras. "Vaaalta muissto? Reparei bem e realmente eram dentes brilhantes e muito bem colocados um pouco altos como dentes de rato, mas colocados um a um no fixador da prótese. Uma novidade perto das pererecas nacionais de material plástico e de péssima plástica e incomodas e dançantes na boca do usuário. Passamos na frente do terreno já pelas 17 horas escurecendo. Apesar dos protestos do Miro o João queria que o Miro já desse sua opinião. Entramos por uma pequena trilha até o alto do morro do Ninho do Urubu, que era a parte mais alta do nosso terreno. Miro viu onde poderia puxar a luz com a visão do ultimo poste e calculou em 3 quilômetros no máximo e fomos embora para o hotel. Hotel ? Era uma espelunca sem forro e com um quarto grande com três camas. Uma cama encostada na parede aos pés das outras duas que estavam separadas por um "criado mudo" Bidê para os gaúchos. O cansaço estava demais a fome também. Miro perguntou a proprietária o que havia para comer.A dona do hotel olhou para ele e disse que teria de ser rápido mas iria preparar algo perguntou o que gostaríamos de jantar? O Miro já disse uns bifes ovos e arroz. Ela concordou rapidamente. Mas Miro perguntou em alto e bom som quanto custa esta janta? Ela respondeu para os três? Sim! . O valor seria como R$ 1.000,00 hoje em dia .O Miro se enfureceu e perguntou o que teria de mais barato? Poderia só ser ovo com pão! Ela disse que seria a metade. João perguntou:- comentando, Será que não tem galinhas por aqui, não há arroz ou carne de boi? A senhora rapidamente disse: - galinhas ovos e bois tem o que não tem é hospedes que só aparecem raramente. Após vária interrupções e intervenções indignadas chegamos a um acordo, carne moída com abóbora, um banho a dormida. R$300,00 com direito a uma cerveja , água e café da manhã mas tudo deveria ser feito rapidamente porque o gerador de luz da cidade desligava às 21 horas. Foi uma corrida ao banheiro com um Lorenzzeti que o engenheiro Miro teve de dar uma ajeitada e perder meia hora para não morrer eletrocutado..Foi o Miro ,eu e o João nesta ordem tomar banho e tirar às três camadas coloridas de poeira que estavam no rosto nos cabelos e em todas as partes e orifícios da nossa anatomia humana. Após comer aquela abobora com carne que todos acharam muito gostosa e foi muito elogiada. Fomos deitar sem reclamar de tão cansados. Eu escovei os dentes não fiz oração e deitei. O calor de 40 graus não me permitiu um sono imediato. Percebo quando o Miro voltou com a toalha nas costa de pijamas (Eu estava de cuecas) e carregava um copo de água quase cheio e o colocou no bidê. Acabou a luz! O João que era muito meticuloso com suas abluções voltou tropeçando no escuro e pedindo que acendêssemos a vela que estava a disposição no bidê. O Miro não fumava, não possuía fósforos. Tive de levantar naquele breu e tatear minhas roupas até encontrar meu isqueiro Dan Hill de laca e acender para o João poder deitar-se. Vi e percebi que trouxe a nécessaire com todas as tralhas contendo o desodorante o sabonete pasta de dentes escova e etc. Como o viajante experiente e minucioso que sempre foi. Mas carregava também um copo d'água na mão e o depositou desatenciosamente no bidê.
A noite foi terrível, o calorão e os mosquitos estavam insuportáveis. Mas cheguei a cochilar. Fui despertado por um barulhão enorme no quarto com palavrões e vômitos e um berro. - Acende a luz! Que luz. O João vomitava a abobora e a carne em todos os lugares e era um tal de ugh......vaaaaaaa...... e aquele cheiro de azedo .Até que peguei o isqueiro e o Miro já estava com a vela na mão acendi o pavio..o quarto iluminou-se.João estava tendo ainda ânsias de vomito.O que foi? Perguntei! .O Miro: - Não piza no chão, por favor! E eu sem saber o que estava acontecendo, confuso! Perguntei por que não posso andar? O Miro: - Não anda que podes pisar nos dentes ou na prótese. Já na explicação o João vomitou novamente e estava um drama a meia luz. Compreendi! O João pegou o copo errado no escuro e o copo estava com a dentadura do Miro. saciou a sede João sentiu nos lábios o beijo dos dentes do Miro. Com um grito de horror jogou tudo longe!
Ficamos procurando os dentes até as 10 horas. Eu e o Miro. O João não queria ouvir ,nem comentar nem lembrar do episódio . Acredito que ao ler esta crônica ele ira negar ou vomitar. Mas é um dever histórico contar esta aventura. O retorno para Brasília, foi silencioso, o João não falava para não lembrar o Miro estava com um dente incisivo superior e dois inferiores. Quando falava o João vomitava e eu engolia o rizo. O pior foi o efeito da diarreia que a abobora com guizadinho proporcionou. Precisávamos parar de 10 em 10 quilômetros. O drama maior foi que não havia papel!.

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