segunda-feira, 29 de agosto de 2016

PEQUENA CRÔNICA



Meu sítio hoje é meu mundo! Lembro-me das várias cidades onde morei que também não foram muitas. Porto alegre, Rio e Brasília com uma escala em Floripa onde também tive um belo sítio. Bem verdade que inviável, pois eu morava a 2200 quilômetros de distância.
Meu retorno as origens deu-se em 1986, neste ano voltei para Portinho. Com muito trabalho e persistência construí uma casa com o objetivo de criar meus filhos e curtir uma aproximação com meus velhos amigos e principalmente conviver com meus pais já no ocaso da vida.
Construí uma bela e grande casa na Vila Assunção bem na frente dos Veleiros do Sul. Uma curiosidade que devo confessadamente contar é que sempre tive a mania ou toque de ter banheiros enormes. Sou claustrofóbico! E assim em locais pequenos, ficava sem as condições de relaxamento exigidas para uma boa e valorosa evacuação, sempre odiei pequenos banheiros. Por isso não vou muito a restaurantes ou centros de comércio (shopping Center para os mais modernos). Não consigo nem mesmo urinar. Tenho nojo de ficar botando a mão nas maçanetas e nas torneiras daqueles horríveis e nojentos mictórios ou cagadouros Mas voltando para casa. Ali no meu trono, vislumbrando aquela linda paisagem de por do sol de barcos e veleiros nas belas marinas, eu meditava e sentia-me o Rainier de Mônaco.(Só uma Ilusão).Mas tudo isto é para ilustrar que se o indivíduo não se adaptar ele não consegue nem mesmo praticar as cacácas da vida em paz. O divórcio não demorou meu reino de Mônaco caiu e a Greyce se mandou. Fui morar com minha mãe em um apartamento central horroroso o quarto não me importava, mas o banheiro era minúsculo. Não cabia naquele espaço o conforto que eu sempre me permiti usufruir. Mas ou vai ou sai, eu aprendi a técnica. Esperava bastante quando estava bem próximo de não segurar eu corria, fechava os olhos e via aqueles barquinhos no Guaíba. Mais tarde aperfeiçoei a técnica. Aprendi a ler no banheiro, umas revistinhas de fofocas e curiosidades como Super interessante e outras semelhantes sobre a vida dos artistas e das celebridades. Era uma boa e divertida leitura daquelas denominadas revistas caguetes, Pois era o tempo de ler e terminar o serviço, e voar do banheiro. Havia uma banheira, graças a Deus. Onde eu dormia em água escaldante. Mas se saísse rápido do vaso caia na banheira
O outro contratempo naquele apartamento era pela manhã quando saia para minhas funções sindicais. Eu saia 7:30 da manhã. Alguns perguntarão por que tão cedo? Não sei!Sonhei a vida toda em me aposentar e acordar ao meio dia. Foi só um sonho! Ainda escuro eu acordado aguardava impaciente me revirando na cama até o clarear do dia quando pulava rapidamente e já estava lá querendo tomar o meu café, tomar banho e assim encher o saco dos vizinhos com barulho de panelas e louça, arranjando coisas para fazer. Vestia-me descia pelo velho e "enguicento" elevador. Na portaria o zelador da noite, sorridente me dava aquele automático e sonolento:- Bom dia! Abria aquela porta enorme que dava para a rua e enquanto eu o saudava e saia, automaticamente pisava na merda noturna dos desabrigados que moravam ali na Jerônimo Coelho com Marechal Floriano e usavam o holl do prédio para suas necessidades na escada de mármore de carrara. Haviam se estabelecido com mala e cuia. Isto já na década de 90 aposentando sem saber o que fazer e acabei não fazendo nada. Muitas vezes ficava com meus filhos. E também confesso. Foi daqueles tempos até hoje minha função mais prazerosa e gratificante.. Bem! Fiquei com o apartamento como herança dos meus pais. É claro que fiquei sem dinheiro, pois já era o meu terceiro divórcio é claro que eu possuía dívidas, portanto o que foi dividido da minha parte, tive de pagar os meus credores. Mas isto não vem ao caso. O pior é que tive de permanecer naquele AP muito tempo. Houve um momento que me senti dentro de um armário (No bom sentido).
Certo dia fui ao enterro de um parente o féretro foi sepultado na parede. Um espaço do tamanho de um ap. no Japão. Pensei! É menor que o meu! Mas pouco, e não tem banheiro. Observei bem e percebi o espaço generoso, disse comigo mesmo dá para dormir folgadamente e confortavelmente até pela eternidade. O dia em que os sem teto descobrirem vão expulsar os defuntos e adquirir moradia nesses apartamentos (Com certeza muito melhor que os da Minha Casa Minha Vida e mais baratos...) enquanto seus lideres se apropriam dos mausoléus, verdadeiras mansões. Tudo em um condomínio privilegiado. Com esta impressão e com intuito de ter mais e melhor espaço fugi de Porto Alegre e adquiri este sítio que denominei de Pasárgada, são 25 hectares incrustados na Serra do Mar, muita mata, convivo bem com Curupira e o Saci Pererê o afro descendente de uma perna só e o cara de pé virado. (Devem ser parentes tem problemas congênitos com os membros inferiores). São meus vassalos, pois este é meu feudo e eles meus serviçais. Aqui sou mais que amigo do rei. Sou o próprio! Não dá para desejar mulheres, pois só há uma rainha já há 21 anos (Muitas vezes desperto assombrado, sonho ser um Henrique oitavo com impulsos assassinos). Mas amigos! Camas podem escolher, e aqui é realmente uma aventura inconseqüente a toda hora a todo o momento. Joana a falsa louca de Espanha. É minha contraparente e é feliz.



Libertei=me da cidade!









OS: - O banheiro aqui é menor ainda, mas não me importo mais! Há a opção do mato ou morro!

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