segunda-feira, 29 de agosto de 2016
RETRATO DE UMA VIAGEM
Faz muitos anos! No final da década de 60, adquiri em sociedade com meu fraterno amigo João, uma fazenda em Taguatinga de Goiás. Estas terras ficavam a exatos 500 quilômetros de Brasília. 50 quilômetros de asfalto e 450 de uma estrada tipo trilha terrível. Lembro-me bem do nosso entusiasmo. Mas a viagem era uma perigosa e imprevisível aventura. João morava em outra cidade mineira a 500 quilômetros de Brasília. Um sonho doido! Quem iria morar na tal fazenda e trabalhar? Bem! Nada nos demovia do sonho atávico do latifundiário ou Senhor feudal. João dizia que o importante era olhar o horizonte e dizer que até onde o dedo apontava na linha do horizonte era nosso e isso dava uma enorme satisfação. Realmente constatamos que não era assim quando precisamos cercar urgentemente e com toda às pressas por razões de invasões aquele infindável lote de terras que pareceu pior que o dedo horizontal e a satisfação do João. Levamos uma pick up Willys até as alturas com arame farpado, salvo engano 80 rolos de 500 metros só para separar o terreno na parte que fazia divisa com vizinhos o resto era encosto como se dizia. Aos fundos fazia limite com a serra geral. A outra parte estava com cercas naturais de rios e córregos e não ofereciam perigo de grilagem. Bem! Nossa chegada foi triunfal! Chegamos e haviam cercado o terreno. O João que possuía e possui um pavio curto já pegou o revolver mandou um empregado e amigo dele o Augusto com uma espingarda ficar de campana. Descarregamos o carro e João amarrou os dois fios de arame da cerca pirata no gancho traseiro da Willis com 300 quilos de arame na caçamba para ter mais tração e eu fui arrancando tudo à cerca foi mal construída e saiu fácil. Marcamos com estacas o local correto e fomos tomar satisfações do tal grileiro. Que era nada mais, nada menos que o nosso advogado contratado para a regularização das terras. Fomos sujos e armados e dispostos a tudo até a casa do camarada. Um dos nossos ficou com a arma apontada para o advogado que estava tomando café na sala. O João também armado estava em frente a porta entreaberta de olhos arregalados e espumando. Eu empurrei a porta e sentei-me à mesa, João entro e ficou na parede nas minhas costas. A raiva tomou conta. Eu olhei para o DR. botei o revólver sobre a mesa e fui falando. Se você não restituir toda a madeira até a semana que vem, todos os mourões que foram cortados no nosso terreno e não cuidar para não entrar um milímetro com a cerca que vais custear você vai sobreviver. Do contrário pode comprar o caixão. Tens 15 dias para terminar, pois se fizestes a grilagem em um dia poderás cercar toda a terra em 15 dias. O arame está na casa do Adolfo. Presta atenção doutor, faremos a vistoria em um dia qualquer. O tal camarada e advogado grileiro olharam para a janela e o nosso amigo o Augusto estava com a arma na soleira da janela empunhada e apontada o João espumava de raiva e eu fui além da realidade racional impulsionado pela cólera. O Dr. sujou-se de óleo.. .Mas foi uma santa solução nunca mais fomos grilados e nossas terras respeitadas.
A moral da história é que se não defenderes o que é teu com todas as armas não esperes que outro o faça muito menos o Estado. Perderas com certeza teu trabalho e não poderás impor os teus direitos. Hoje o Brasil está pior ainda!.Não há segurança por parte do Estado. Matam por um celular e a justiça solta gratuitamente!
PS-O que esperar do STF com a Lava Jato. Foi tudo um sonho! Logo, logo acaba.
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